Loulu Gilberto apresenta primeiro álbum e revisita o universo musical de João Gilberto
- Henrique Corrêa

- há 2 dias
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Em seu disco de estreia, a cantora Loulu Gilberto se inspira no universo artístico do pai, João Gilberto (1931-2019). Aos 21 anos, ela grava canções que envolvem a memória paterna e o aprendizado musical na infância, os pontos de partida de seu canto. Ainda pequena, Loulu foi acompanhada inúmeras vezes pelo violão de João, seu primeiro mestre.
O álbum “Loulu Gilberto” (Sony), que chega em maio às plataformas digitais, com produção musical de Cézar Mendes e Mario Adnet, vai além do tributo a João, o definidor da batida da bossa nova, e ilumina a modernidade da tradição musical brasileira e americana, ao englobar o samba, o jazz, o samba-canção, cantigas de ninar e "Qui Nem Jiló", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, um clássico do baião admirado por João.

“Manias” (Flavio Cavalcanti/Celso Cavalcanti), gravada por Dolores Duran em 1955, está entre os destaques do disco, enfatizando o elo de Loulu com o samba-canção. “É uma canção-cinema. Me provoca imagens vivas”, diz a cantora. A inédita “O Amor nos Encontrou” recupera uma obra guardada da parceria entre Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli (antes deste primeiro registro em estúdio, havia apenas uma gravação privada de João). A canção exalta um enlace amoroso radiante, fiel à estética da bossa nova.

O repertório reflete a intimidade de Loulu com a tradição e a obra do pai, como testemunha precoce de suas brincadeiras com as canções, na órbita privada. O disco reúne músicas aprendidas muito cedo em casa, a exemplo dos standards “Tea for Two” (Irving Caesar/Vincent Youmans) e “Mr. Sandman” (Pat Ballard), ou de "Joujoux e Balangandãs" (Lamartine Babo), "Cuidado com o Andor" (Mario Lago/Marino Pinto) e "Dorme Que Eu Velo por Ti" (Mário Rossi/Roberto Martins).



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