• UM CONCEITO

Precisamos falar da Saúde mental da população negra no Brasil.

O psicólogo Henrique Corrêa reflete sobre preconceito, racismo e os desafios para a saúde e o bem-estar da população negra em nosso país.


No mês de janeiro é abordado o JANEIRO BRANCO – uma campanha brasileira que foi iniciada em 2014 com o objetivo de dar atenção para saúde mental das pessoas. O mês de janeiro foi escolhido porque é neste mês que as pessoas estão mais focadas em resoluções e metas para o ano.



Nesse contexto é importante destacar que de cada dez suicídios ocorridos no Brasil, seis são cometidos por negros. O que está por trás dessa estatística?


Várias queixas raciais podem ser subestimadas ou individualizadas, tratadas como algo pontual, de pouca importância e ainda culpabilizando a pessoa que sofre o preconceito ou discriminação racial.


Há muita dificuldade em se falar abertamente sobre racismo e soma-se o estigma em torno do suicídio, o que contribui para o silenciamento em torno da questão.



A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra reconhece o racismo, as desigualdades étnico-raciais e o racismo institucional como determinantes sociais das condições de saúde.


É importante destacar que existe uma peculiaridade em ser negro no Brasil. Vivemos em um país em que, apesar de sua maioria ser constituída por pessoas negras e/ou miscigenadas, não se reconhece a existência do racismo. Ou, quando é feito, é um racismo sem racistas, sempre questionando a necessidade de se discutir a respeito.


Quando um indivíduo negro procura um profissional também negro, acredita-se que o faz por identificação, julgando que o profissional saberá ouvir e acolher melhor a sua queixa do que um profissional branco, além de sentir-se reconhecido e legitimado em seu discurso. O profissional negro pode representar a esse paciente um modelo de sucesso a ser seguido; pode fazer intervenções direcionadas ao fortalecimento e resistência daquele paciente com relação ao racismo e, com isso, causar impactos e mudanças na vida do paciente que procura a clínica com essa demanda de ordem identitária e de constituição de subjetividade (Geledés, 2017).


Com tudo isso em mente, precisamos estabelecer com urgência ações de fortalecimento da identidade étnico-racial e enfrentar os estigmas e repercussões do racismo na saúde mental. Aliadas a políticas de promoção da igualdade racial e a formação e educação permanente para trabalhadores de saúde, visando à promoção da equidade em saúde da população negra.


É urgente cuidar da saúde mental da população negra brasileira!


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